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NOTÍCIA

PH da água: Mantê-lo correto impacta na produtividade da piscicultura

Quando o assunto é piscicultura, um dos fatores fundamentais para o sucesso da produção e desenvolvimento dos peixes é o pH da água e a sua qualidade geral.

De acordo com a zootecnista da Nutrimais Saúde Animal, Bruna Gasparini, “a água apresenta diversas substâncias e a interação dessas substâncias, por meio dos fenômenos químicos, físicos e biológicos, torna essa água ácida, neutra ou alcalina. ”

Mas quando se trata de um viveiro, o pH dessa água pode influenciar na produtividade dos peixes, impactando também a lucratividade do produtor.

“No viveiro onde a água se apresentou ácida ou alcalina, é preciso ter um cuidado redobrado em relação ao pH e normalizar esse pH, dando condições para que os peixes possam sobreviver e produzir”, ensina a zootecnista.

Bruna ressalta também que, “valores de pH entre 7 e 8.3 são adequados para a piscicultura, porém, se estende aí o intervalo entre 6.5 e 9, de acordo com a espécie em produção. ”

Para quem está em dúvidas de como medir o pH da água que está nos tanques de cultivo da piscicultura, a especialista dá as dicas: “use kits químicos, papel de tornassol ou peagâmetro, que é o equipamento específico para mensurar o pH.”

PH da Água na Piscicultura

Quando se fala em pH da água, aplicado ou não a piscicultura, o sete é considerado neutro, abaixo é ácido e acima alcalino.

A escala geral do pH da água varia entre zero e 14, e na piscicultura o indicado é que ele esteja mais perto do neutro.

Se o tanque tiver uma água com pH menor que quatro, ou maior que 11, existe uma grande chance de os peixes não suportarem e morrerem. Mais de 50 espécies não sobrevivem nesses picos de acidez e alcalinidade.

Concentração de sais em solução, além do dióxido de carbono, são fatores que impactam diretamente no pH da água, gerando problemas na piscicultura.

O dióxido de carbono pode ser encontrado na água em forma de gás dissolvido, carbonato e bicarbonatos.

Sua formação está ligada com a respiração das algas, dos peixes e também pela decomposição de matérias orgânicas.

Com o aumento do pH da água existe a formação do óxido de cálcio, e esse elemento provoca a chamada corrosão do epitélio branquial e das nadadeiras, e os peixes morrem.

Já quando o pH da água da piscicultura fica muito baixo, existe um aumento da frequência respiratória dos peixes, que vão buscar ar na superfície, e esse pH excessivamente baixo leva a morte de forma imediata.

Em relação à amônia também existe a necessidade de um cuidado extra, pois quando ela está presente em uma água com pH acima de nove, somando-se a isso altas temperaturas, ela aumenta sua toxidade.

Além do pH da água

De acordo com a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a qualidade da água é um fator primordial na piscicultura, tendo impacto direto sobre seu lucro ou prejuízo.

A dica é manter o monitoramento dessa água em intervalos regulares, que podem ser estabelecidos por um profissional que esteja adaptado ao cultivo de peixes.

Alguns especialistas acreditam que verificar o pH dos tanques semanalmente é o mais indicado, outros optam por prazos mais estendidos.

Também é preciso seguir corretamente a orientação técnica para fazer o controle do pH da água da piscicultura.

Para regular a alcalinidade e pH da água, o bicarbonato de sódio é uma das indicações. Calcário e cal também podem ser indicados, desde que com a correta dosagem e acompanhamento de um profissional.

Ao falarmos da qualidade da água na piscicultura existem outros cuidados que devem ser levados em consideração, além da adequação do pH. Acompanhe:

  • Transparência – quando ela está adequada, leva luz e calor, que são elementos importantes para a saúde da vida aquática.

Se a transparência fica muito reduzida, a luz penetra apenas alguns centímetros na água, não fazendo sua função de desenvolver o fitoplâncton, que está ligado à produção de oxigênio.

  • Temperatura – peixes tropicais são pecilotérmicos, isso significa que a temperatura do seu corpo muda de acordo com a temperatura da água, por isso o controle é importante.

O ideal é uma temperatura entre 24 e 30 graus, sendo aceitável dois graus para cima, ou para baixo.

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  • Oxigênio – deve ser medido em miligrama por litro e costuma ser alterado com a temperatura da água, altitude e salinidade.

Altitude e temperatura da água maiores levam a um nível de saturação de oxigênio menor. 

Os peixes tropicais, de forma geral, exigem concentração de oxigênio acima de 5mg/l. Quando expostos, de forma contínua, a níveis inferiores a 3mg/l podem ficar estressados, o que aumenta as chances de doenças e morte.

Lembre-se sempre que, o pH alterado da água da piscicultura, além de causar a morte dos peixes, pode levar a outros distúrbios, como o estresse, que interfere na reprodução e no crescimento dos animais, e isso também causa muitos prejuízos para o produtor.

Fontes: Nutrimais; Embrapa; Cetesb; Sebrae; e Gia.